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10 de fevereiro de 2025 por Luze Azevedo

Vacinas e estórias que salvam vidas

Vacinas e estórias que salvam vidas
10 de fevereiro de 2025 por Luze Azevedo

“É que a gente tá tentando se virar, sabe? A vida é curta, e eu não quero só existir. Quero viver, fazer alguma coisa que valha a pena.” A frase dela ecoou no carro, e por um instante, o silêncio tomou conta. Até que eu disse: “A gente é visitante nesse mundo, né? E o tempo que a gente tem é pra gastar ou investir. Será que a gente tá fazendo isso direito?”.

Vacinas e estórias que salvam vidas

Foto:  Logo da Desembréia de Deus.
by Luze Azevedo

Corridas que vão além do trajeto ~ momentos de reflexão. Independente da fé, seguimos no mesmo caminho, buscando algo maior.

São fragmentos de vidas que cruzam a cidade, histórias que entram e saem junto com seus passageiros ~ reflexos de uma jornada que também é sua. Um homem que transformou a dor em fé, a culpa em redenção, a solidão em encontro. Para ele, cada rua é um recomeço, e cada passageiro, um espelho onde se aprende e se ensina.

O sol já começava a se despedir do dia quando ela entrou no carro. Vinha com uma bolsa cheia de papéis, um estetoscópio que mal escondia a profissão, e um olhar que misturava cansaço com determinação. “Boa tarde”, disse, quase como um suspiro, enquanto ajustava o cinto de segurança. Eu respondi com um sorriso no retrovisor, mas ela já estava distraída, digitando algo no celular. O destino: uma casa onde um gato esperava por uma vacina.

O carro, batizado por mim de Desembréia, era mais que um veículo; era um espaço de estórias. E aquela tarde não seria diferente. Enquanto seguíamos pelo trânsito, ela soltou, quase sem querer: “Você acha que vale a pena ser motorista de aplicativo?”. A pergunta veio carregada de uma inquietação que eu conhecia bem.

Ela me contou sobre a vida apertada, a faculdade de veterinária que estava terminando, a filha de nove anos que já sonhava com o vestibular, e o marido, motorista de ônibus, que queria voltar a estudar direito. “A gente pensa em comprar um carro”, disse, “pra eu trabalhar de dia e ele à noite, depois do ônibus. Assim a gente junta uma grana pra pagar as contas e ainda sobra um pouco pra ele voltar pra faculdade.”

Enquanto ela falava, eu lembrava da minha própria jornada. De quando lavava pratos em restaurantes, encerava carros alheios e, finalmente, virei motorista de aplicativo. Contei a ela como o Desembréia me salvou em dias difíceis, mas também como as corridas podem ser imprevisíveis. “Tem dias que você ganha bem, tem dias que só gasta gasolina”, falei, tentando equilibrar otimismo e realidade.

Ela ouvia, mas os olhos dela pareciam calcular cada palavra. “É que a gente tá tentando se virar, sabe? A vida é curta, e eu não quero só existir. Quero viver, fazer alguma coisa que valha a pena.” A frase dela ecoou no carro, e por um instante, o silêncio tomou conta. Até que eu disse: “A gente é visitante nesse mundo, né? E o tempo que a gente tem é pra gastar ou investir. Será que a gente tá fazendo isso direito?”.

Ela riu, meio sem graça, e confessou: “É, às vezes a gente fica brigando com os problemas e esquece que o tempo tá passando. Mas não tem jeito, tem que seguir em frente.” Concordei, lembrando que, no fim das contas, é isso o que nos resta: seguir.

Chegamos ao destino, e ela desceu com pressa. “Obrigada pela conversa”, disse, enquanto fechava a porta. “Até a próxima corrida.” Fiquei ali, vendo ela entrar na casa com a bolsa de veterinária nas mãos, e pensei naquela frase que ela tinha soltado: “Será que a gente tá vivendo ou só existindo?”.

O Desembréia seguiu seu caminho, levando outras histórias, outras vidas. Mas aquela mulher, com seus sonhos apertados entre as contas e o relógio, ficou comigo. Porque, no fim, todos nós estamos na mesma corrida: tentando equilibrar o peso da vida com a leveza de viver. E, às vezes, é no banco de um carro de aplicativo que a gente lembra disso.

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