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8 de março de 2025 por Luze Azevedo

A Primeira Passageira Nunca se Esquece

A Primeira Passageira Nunca se Esquece
8 de março de 2025 por Luze Azevedo

Carona de Palavras

A Primeira Passageira
Nunca se Esquece

Não era só cheiro de carro novo… era cheiro de recomeço.

Carona de Palavras

Anos depois, Marcela escreveria em um trabalho escolar:
“Frei não era só um motorista. Era um contador de histórias que nos levou para a consulta onde minha mãe decidiu lutar pela vida. Enquanto eu jogava no tablet, ele e ela costuravam pontes entre passado e presente.”
Antonela, já adolescente, mandaria uma mensagem: “Lembra daquele dia? Eu sabia que tinha algo diferente no seu carro. Não era só cheiro de carro novo… era cheiro de recomeço.”

hoje, a “Desembréia de Deus” completa sete anos. E, como coincidências, não existem, vou contar essa estória para que vocês tirem suas próprias conclusões. Afinal, a vida tem dessas coisas: ela nos surpreende, nos conecta e, às vezes, nos faz rir até das próprias lágrimas.

O Fiat Siena prata brilhava sob o sol de São Paulo, mas seu verdadeiro brilho estava no adesivo desbotado na traseira: uma cruz entrelaçada a um volante e a palavra “Desembréia”, a primeira ideia de logotipo. Frei e-uBer, o motorista, passou os dedos sobre o símbolo antes de ligar o motor, como sempre fazia. “Desembrulhar histórias, destravar dores”, sussurrou, como um mantra.

O carro fora batizado por Cícera Donata ~ a Mága das Ervas. Sem cerimônia, do jeito que se nomeia o que respira e ganha destino próprio, dessas coisas que cruzam estrada e estória no mesmo fôlego. Ela, que tem chá pra qualquer dor, enfermeira de mãos abençoadas, dessas que curam mais alma do que corpo. Dias antes, passara óleo e lágrimas sobre o capô.

— Que cada trajeto seja um verso do Salmo 23 ~ disse, baixo.

Frei não só acreditava. Ele sabia.

Era mais do que um carro; era um símbolo de recomeços, de estórias que se desenrolavam a cada curva, de vidas que se cruzavam por acaso ~ ou por destino. A “Desembréia de Deus” não era só um meio de transporte; era um espaço sagrado onde dores se transformavam em esperança e silêncios se tornavam confissões.

E assim, com o motor ligado e o coração cheio de propósito, Frei e-Uber seguia pelas ruas de São Paulo, pronto para desembrulhar mais uma estória. Porque, no fim das contas, a primeira passageira nunca se esquece. E Frei, com seu carro ungido e seu coração cheio de estórias, sabia que cada trajeto era uma chance de desembrulhar um pouco mais da vida. E, quem sabe, rir junto no caminho.

Naquele dia, sua primeira passageira foi Joana, vizinha de sua mãe, acompanhada das filhas, Marcela e Antonela. As meninas entraram no carro mergulhadas em seus tablets, dedos ágeis deslizando pelas telas. Frei e-Uber observou-as pelo retrovisor e sorriu. Lembrou-se de quando tinha 12 anos: mãos calejadas de tanto costurar bola de futebol e vender balas no sinal, olhos sempre atentos para fugir da polícia. “Elas desbloqueiam mundos com um toque. Eu desbloqueava medo”, pensou, sem rancor, apenas com a leveza de quem já aprendeu a rir do passado.

— Lembra da minha tia Lúcia? ~ Joana quebrou o silêncio, os olhos fixos na rua. ~ Aquela que fazia doces de jaca…

Frei deixou escapar uma risada. Como esquecer? A casa de Tia Lúcia sempre fora abrigo nos dias em que o cheiro de álcool do pai tomava a casa e fazia o ar pesar. E agora, ali, no banco da frente, Joana falava da mesma jaca, aquela que, segundo ela, curava tristeza quando vinha acompanhada de angu.

O destino, com seu humor torto, parecia gostar de costurar fios invisíveis. A casa de Frei ficava na rua que levava o nome do avô de Joana ~ um homem que ela mal chegou a conhecer. E estava a poucos metros dali, da casa onde sua mãe, enfim livre, mexia o angu no fogo sem precisar esconder os hematomas.

— Angu cura até tristeza, sabia? ~ Joana riu, um som leve que parecia desafiar o peso do mundo.

— Eu sei ~ respondeu Frei e-Uber, com um sorriso. — Minha mãe fazia o melhor angu da cidade.

No caminho à clínica para uma consulta, Joana evitou falar de Alex, o marido. Frei, hábil em ler silêncios, contou-lhe sobre o restaurante em Pinheiros onde aprendera a cozinhar risoto ~ e esperança. Joana riu de novo, dessa vez mais solta, como se o riso fosse um antídoto para as dores não ditas. Ele notou o ultrassom escondido num envelope pardo, mas não perguntou. Em vez disso, rezou em silêncio, lembrando-se de como era carregar promessas invisíveis.

Anos depois, Marcela registraria num trabalho da escola algo assim:

“Frei e-Uber não era apenas um motorista. Era desses que contam histórias sem pressa. Foi ele quem nos levou à consulta em que minha mãe resolveu brigar pela própria vida. Enquanto eu me perdia no tablet, ele e ela iam alinhavando lembranças, juntando passado e presente como quem constrói uma ponte sem perceber.”

Já Antonela, na adolescência, mandaria uma mensagem daquelas que chegam sem aviso:

“Você lembra daquele dia? Eu sentia que tinha algo diferente no seu carro. Não era só cheiro de carro novo… era cheiro de recomeço.”

Hoje, a “Desembréia de Deus” ainda corta as ruas de São Paulo. Cícera continua a ungir o carro uma vez por mês, mesmo que Frei já não precise mais de bênçãos. Certa vez, um passageiro perguntou:

— Você acredita que cada corrida é uma missão? 

— Não ~ respondeu Frei e-Uber, ajustando o retrovisor com um sorriso nos lábios. — Eu sei.

E o adesivo desbotado? Continua lá ~ já existe um novo. Mas, isso é para a próxima estória, ou para o novo carro ~ , como um lembrete de que a vida, às vezes, é como uma viagem de Uber: cheia de curvas, paradas inesperadas e, sempre, espaço para um milagre no banco de trás.

Porque, no fim das contas, a primeira passageira nunca se esquece. E Frei e-Uber, com sua “Desembréia de Deus” ungida e seu coração cheio de estórias, sabe que cada trajeto é uma chance de desembrulhar um pouco mais da vida. E, quem sabe, rir junto no caminho.

Frei e-uBer, motorista de histórias e espectador de vidas, assina esta crônica entre um congestionamento e uma esperança.
LuzeAzvdo-Frei_e-uBer
Em cada corrida uma Estória. Em cada Estória: Fé que transforma!
Frei e-Uber | Desembréia de Deus
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o que é a Desembreia de Deus

O Frei e‑Uber é mais que um motorista dentro da Desembréia de Deus com hábito religioso ~ ele é uma experiência religiosa sobre rodas: une o papel de “condutor de pessoas” ao de “condutor de alma”, gerando um leito único para quem o encontra. Igreja, agora, em movimento.

Por que o Frei e‑Uber faz sentido hoje?

  • A religião entra no asfalto: num mundo que exige mobilidade, essa “Igreja itinerante” alcança passageiros no espaço mais íntimo do dia a dia.

  • Espiritualidade inclusiva: não exige assentos marcados, apenas um deslocamento com propósito.

  • Empatia sobre rodas: ele conecta o tempo ~ e o motor ~ da fé com a rotina apressada, oferecendo pausa, palavra e presença atenta.

  • Aqui, o dízimo é simples: Curtiu? Comenta. Gostou? Compartilha. Essa é a fé que sustenta esse templo de ideias.

    Pode parecer pouco: curtir, comentar, compartilhar. Mas pra quem planta palavras e sonha com diálogos, isso vale ouro. É assim que a colheita começa ~ com afeto em forma de clique.

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Frei e-Uber

A cidade grande não recebeu o jovem sonhador com braços abertos. Sem dinheiro e sem conhecer ninguém, dormiu em rodoviárias e passou fome antes de encontrar um emprego lavando pratos em uma lanchonete. Subiu para chapeiro e depois subchefe, trabalhando exaustivamente, agarrando cada oportunidade, cada centavo. Mas a promessa de voltar para buscar sua família parecia sempre mais distante.

Foto de Matheus Natan: https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoas-cruzando-a-rua-1813406/