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Carona de Palavras

não acredito em coincidências, mas elas acontecem.

Ela entrou no carro com o destino claro: shopping. Eu aceitei a corrida com a expectativa usual: mais uma volta no ciclo urbano. Ninguém poderia prever que, entre um semáforo e outro, um pequeno aviso colado no encosto do banco ~ um anúncio sobre um livro, assinado por  Desembréia de Deus ~ fosse capaz de descarrilar o piloto automático de dois estranhos e costurar, por alguns quilômetros, uma rota paralela.

Carona de Palavras

às vezes, a cidade nos entrega um roteiro à prova de surpresas: sair, chegar, consumir, voltar. Mas há viagens que se recusam a ser apenas deslocamento ~ viagens em que um cartaz discreto no banco dianteiro pode desarranjar o destino, e um nome como Desembréia de Deus pode ser o início de uma conversa que ninguém pediu, mas que todos, no fundo, esperam.

Costuras do Ordinário

… existe um tipo de encontro que não vem nos mapas. Não está na solicitação do aplicativo, não consta no GPS, não tem tarifa fixa. Surge no meio do trajeto, quando algo ~ um olhar, um silêncio, um cartaz quase invisível ~ abre uma fenda no automático da rotina. Foi assim naquela tarde: passageira e motorista, unidos por uma coincidência que, talvez, não fosse apenas coincidência.

um cliente solicitou um carro para ir de casa ao shopping. Eu aceitei a corrida ~ nada além do roteiro previsível da cidade: sair, chegar, consumir, voltar.

Durante o trajeto, porém, algo saiu do trilho do automático. A mulher que o acompanhava teve sua atenção capturada por um cartaz discreto, quase tímido, mas insistente, fixado no encosto do banco dianteiro ~ um aviso sobre a produção de um livro, acompanhado do logotipo da Desembréia de Deus.

O silêncio dentro do carro mudou de textura. Já não era apenas a ausência de ruído; era uma atenção suspensa, um ponto de interrogação pairando entre os bancos. Ela não disse nada a princípio ~ apenas estudou aquelas letras como quem decifra um código deixado na mesinha de cabeceira.

O silêncio dentro do carro mudou de textura. Já não era apenas a ausência de ruído; era uma atenção suspensa, um ponto de interrogação pairando entre os bancos. Ela não disse nada a princípio ~ apenas estudou aquelas letras como quem decifra um código deixado na mesinha de cabeceira.

O carro seguiu, mas o trajeto original ~ aquele traçado pelo GPS ~ já não servia mais. algo havia desviado o caminho. agora íamos por uma rota paralela, feita de curiosidade e daquele espanto raro que nasce quando a bola bate na trave, o juiz apita o fim, e o destino ~ por um breve segundo ~ resolve revelar que sempre houve outras possibilidades de percurso.

A mulher no carro sorriu, surpresa ~ desses sorrisos que aparecem quando a vida resolve piscar o olho sem aviso. comentou mais para si do que para mim:
— nossa, que coincidência. Eu já seguia você no Instagram e nem sabia quem era. Então, você é o Frei eUber? 

Olhei pelo retrovisor, com um sorriso sereno ~ desses que não brigam com o trânsito nem pedem passagem.
— sim, sou eu! ~ respondi, com a naturalidade de quem não se apresenta, apenas segue existindo. ~ mas eu também te sigo?

Ela riu, deixando escapar um “não” leve, quase um pedido de desculpa pela assimetria digital.
— não! mas agora vou seguir. é só me mandar um “oi” e me contar como você me achou?

Fiz uma pausa breve, dessas que cabem num semáforo fechado e numa vida inteira de observação. Organizei o pensamento enquanto esperava o sinal abrir.
— na verdade… foi um vídeo. recentemente você publicou aquele sobre a ginasta Anna Goudareva. eu amei a história. fiquei pensando no poder que as mulheres têm ~ e que nem sempre é valorizado.

Acenei com a cabeça. O sinal verde iluminou o rosto no espelho, como se desse aval à conversa [ ou à confissão ].
— A intenção foi justamente essa ~ disse, baixando um pouco a voz, como quem fala baixo para não acordar a cidade. ~ dar um choque na realidade. mostrar que, com determinação, todos ~ não só as mulheres ~ podem reescrever uma história de sucesso.

Ela permaneceu em silêncio por alguns instantes, os olhos perdidos na paisagem que escorria pela janela. Corrida curta, o shopping surgia ao longe ~ grande, aceso, repleto de vitrines oferecendo felicidade em suaves prestações. Ainda assim, a sensação era de que o caminho tinha ficado menor ~ ou mais fundo.

— Pois é ~ disse enfim, quase em confidência. ~ às vezes a gente pensa que está só indo ao shopping, e a vida resolve sentar no banco de trás e puxar conversa.

Estacionei em frente à entrada, lancei um último olhar pelo retrovisor e arrematei, com um brilho tranquilo no olhar:
— eu não boto muita fé em coincidências… mas que elas dão carona pra gente, dão. Boa tarde ~ e obrigado pela companhia.

Ele desceram ainda sorrindo. Já não era apenas uma passageira, nem eu somente um motorista. Eram duas narrativas que, por um breve intervalo, cruzaram a mesma rota, respiraram o mesmo tempo, aceitaram o mesmo acaso.
[e talvez seja só isso a vida ~ um percurso aparentemente banal, onde a resposta aparece justo quando a gente achava que só precisava chegar].

Frei e-uBer, motorista de histórias e espectador de vidas, assina esta crônica entre um congestionamento e uma esperança.
LuzeAzvdo-Frei_e-uBer
Em cada corrida uma Estória. Em cada Estória: Fé que transforma!
Frei e-Uber | Desembréia de Deus

Papo Reto: 11 986 939 147

Desembréia: 02861-060 – Brasil, São Paulo, Cachoeirinha, Vila Rica, Ouvídio José Antônio Santana.

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Frei e-Uber

A cidade grande não recebeu o jovem sonhador com braços abertos. Sem dinheiro e sem conhecer ninguém, dormiu em rodoviárias e passou fome antes de encontrar um emprego lavando pratos em uma lanchonete. Subiu para chapeiro e depois subchefe, trabalhando exaustivamente, agarrando cada oportunidade, cada centavo. Mas a promessa de voltar para buscar sua família parecia sempre mais distante.

Foto de Matheus Natan: https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoas-cruzando-a-rua-1813406/