não se deve acreditar em tudo. Como duvidar pode ser um exercício de sobrevivência. Dar crédito ao duvidoso pode nos ajudar a transitar por lugares melhores. Mesmo que não sejam físicos, o ilusório vai bem também.
Como sempre, tudo começa com um “olá, tudo bem!?”. E foi assim que eu recebi a bordo da Desembréia de Deus a Calinda e sua filha Cleo, 62 e 43 anos, respectivamente. Calinda, ao entrar no carro depois da filha, me olhou nos olhos e disse: o seu astral é ótimo! ma[i]s ~ e parece que sempre existe um mas ~, os seus chacras estão desalinhados. Você deveria receber um Reiki. Com essa afirmação, me senti desconcertado e nem sabia o que falar. Afinal, que autoridade era essa querendo se instalar a bordo da Desembréia?
Fiquei quieto. E ela, entendendo minha dúvida, perguntou à filha: Cleo, você acha que podemos dar a ele essa oportunidade mais tarde, mesmo à distância?
“Sim!”, afirmou ela. E, na sequência, eu engatei uma nova marcha e perguntei: mas o que é Reiki à distância? Como funciona o envio do Reiki?
E disse-me Cleo: o tratamento de cura à distância com Reiki pode ser feito de qualquer lugar do planeta, não havendo limite entre quem emite e quem recebe.
Funciona assim ~ complementou Calinda ~: o reikiano estabelece contato pensando na pessoa, visualizando-a entre suas mãos. O emissor precisa estar concentrado e imaginar o Reiki chegando nela, preenchendo seu corpo e seus arredores. Basta ficar mentalmente conectado por alguns minutos e… pronto. O Reiki fará a sua parte.
“Manda bala, então!”, exclamei… vamos entrar em 2026 com boas energias!
Elas desceram na esquina e sumiram na dobra da rua. Não trocamos números. Não guardamos endereços. Mas acredito, sim, que o Reiki virá me visitar [ou talvez já esteja aqui, disfarçado de vento quente no ar-condicionado, ou naquele suspiro que soltamos quando o sinal finalmente fica verde].
Penso que assim é a vida insiste: mistura de ceticismo e esperança, passageiras que entram e saem do carro deixando promessas de cura no banco de trás. Ficamos com a dúvida ~ e o conforto dela ~, navegando entre astrais e desalinhamentos, entre o concreto e o que inventamos para seguir. O Reiki não veio por mensagem, não deixou número, mas quem sabe já não está agindo silenciosamente, como um bocejo no fim do dia, um suspiro antes do próximo “olá, tudo bem?”.
Que 2025 desembarque com suas certezas cansadas. E que 2026 chegue trazendo, em suas mãos invisíveis, o dom duvidoso e bonito de acreditar ~ nem que seja só no til que suspende o ritmo, no colchete que guarda um segredo, no instante em que tudo pode ser real ou ilusão, e ambas as opções servem. Que o ano novo nos permita esse adeus manso às urgências do mundo, às disputas por valores que se perdem no barulho, enquanto seguimos escrevendo ~ porque, às vezes, é só na página que a vida encontra algum acordo.
Feliz dia novo. Todo, por todos os dias de 2026.
