desembréia de deus
  • A Desembréia
    • no Volante
    • na Estrada
    • na Paisagem
      • Acontece!
      • Cidade Revelada
      • De Boca Cheia
      • Feira Livre, Feira Viva
      • Rastro & Rabisco
      • Solta o Som, SP!
      • Verde que te quero viva
      • Você Sabia?
    • em Números
    • no Pensamento
  • Albums
  • Blog
  • Frei e-Uber
  • Contato

Carona de Palavras

O reikista invisível e a arte de viajar no talvez

Era um dia comum, até que duas passageiras entraram no carro e diagnosticaram meus chacras desalinhados. Ofereceram um reiki à distância. Aceitei na hora. Afinal, quem recusa uma cura enviada pelo ar, sem taxa de entrega, na véspera de um ano novo? A crônica de um cético que aprendeu, entre uma marcha e outra, que dar crédito ao duvidoso pode ser o melhor atalho para lugares mais leves.

Carona de Palavras

O senhorio dos meus chacras não fui eu. Foram elas: Calinda, 62 anos, e Cleo, 43, que entraram no meu carro como quem sobe num trono e, antes de dizerem o destino, me deram um diagnóstico completo da minha aura. O tratamento? Reiki à distância. E eu, que sempre achei que energia boa vinha de um café bem tirado, me vi marcando uma sessão espiritual pelo aplicativo da vida. Tudo começou, como sempre, com um “olá, tudo bem?” ~ a pergunta mais capciosa já inventada.

O reikista invisível e a arte de viajar no talvez

… que 2025 desembarque com suas certezas cansadas. e que 2026 chegue trazendo, em suas mãos invisíveis, o dom duvidoso e lindo de acreditar.

não se deve acreditar em tudo. Como duvidar pode ser um exercício de sobrevivência. Dar crédito ao duvidoso pode nos ajudar a transitar por lugares melhores. Mesmo que não sejam físicos, o ilusório vai bem também.

Como sempre, tudo começa com um “olá, tudo bem!?”. E foi assim que eu recebi a bordo da Desembréia de Deus a Calinda e sua filha Cleo, 62 e 43 anos, respectivamente. Calinda, ao entrar no carro depois da filha, me olhou nos olhos e disse: o seu astral é ótimo! ma[i]s ~ e parece que sempre existe um mas ~, os seus chacras estão desalinhados. Você deveria receber um Reiki. Com essa afirmação, me senti desconcertado e nem sabia o que falar. Afinal, que autoridade era essa querendo se instalar a bordo da Desembréia?

Fiquei quieto. E ela, entendendo minha dúvida, perguntou à filha: Cleo, você acha que podemos dar a ele essa oportunidade mais tarde, mesmo à distância?

“Sim!”, afirmou ela. E, na sequência, eu engatei uma nova marcha e perguntei: mas o que é Reiki à distância? Como funciona o envio do Reiki?

E disse-me Cleo: o tratamento de cura à distância com Reiki pode ser feito de qualquer lugar do planeta, não havendo limite entre quem emite e quem recebe.

Funciona assim ~ complementou Calinda ~: o reikiano estabelece contato pensando na pessoa, visualizando-a entre suas mãos. O emissor precisa estar concentrado e imaginar o Reiki chegando nela, preenchendo seu corpo e seus arredores. Basta ficar mentalmente conectado por alguns minutos e… pronto. O Reiki fará a sua parte.

“Manda bala, então!”, exclamei… vamos entrar em 2026 com boas energias!

Elas desceram na esquina e sumiram na dobra da rua. Não trocamos números. Não guardamos endereços. Mas acredito, sim, que o Reiki virá me visitar [ou talvez já esteja aqui, disfarçado de vento quente no ar-condicionado, ou naquele suspiro que soltamos quando o sinal finalmente fica verde].

Penso que assim é a vida insiste: mistura de ceticismo e esperança, passageiras que entram e saem do carro deixando promessas de cura no banco de trás. Ficamos com a dúvida ~ e o conforto dela ~, navegando entre astrais e desalinhamentos, entre o concreto e o que inventamos para seguir. O Reiki não veio por mensagem, não deixou número, mas quem sabe já não está agindo silenciosamente, como um bocejo no fim do dia, um suspiro antes do próximo “olá, tudo bem?”.

Que 2025 desembarque com suas certezas cansadas. E que 2026 chegue trazendo, em suas mãos invisíveis, o dom duvidoso e bonito de acreditar ~ nem que seja só no til que suspende o ritmo, no colchete que guarda um segredo, no instante em que tudo pode ser real ou ilusão, e ambas as opções servem. Que o ano novo nos permita esse adeus manso às urgências do mundo, às disputas por valores que se perdem no barulho, enquanto seguimos escrevendo ~ porque, às vezes, é só na página que a vida encontra algum acordo.

Feliz dia novo. Todo, por todos os dias de 2026.

Frei e-uBer, motorista de histórias e espectador de vidas, assina esta crônica entre um congestionamento e uma esperança.
LuzeAzvdo-Frei_e-uBer
Em cada corrida uma Estória. Em cada Estória: Fé que transforma!
Frei e-Uber | Desembréia de Deus

Papo Reto: 11 986 939 147

Desembréia: 02861-060 – Brasil, São Paulo, Cachoeirinha, Vila Rica, Ouvídio José Antônio Santana.

@Luze.Azevedo
@Frei.eUber
LuzeAZVDO WordPress Theme ❤ Made by eco.das.letras
LuzeAzvdo-Frei_e-uBer

Frei e-Uber

A cidade grande não recebeu o jovem sonhador com braços abertos. Sem dinheiro e sem conhecer ninguém, dormiu em rodoviárias e passou fome antes de encontrar um emprego lavando pratos em uma lanchonete. Subiu para chapeiro e depois subchefe, trabalhando exaustivamente, agarrando cada oportunidade, cada centavo. Mas a promessa de voltar para buscar sua família parecia sempre mais distante.

Foto de Matheus Natan: https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoas-cruzando-a-rua-1813406/